Testemunha arrolada em processo tem contrato com Prefeitura

Gilberto Léda

Coincidência das
grandes, para dizer o mínimo, o que aconteceu recentemente em Bacabeira, cidade
da Região Metropolitana de São Luís.
Inácio Lemos da Cruz, que foi arrolado pelo
prefeito Alan Linhares (PTB) como sua testemunha de defesa num processo de cassação
de diploma que tramita na Justiça Eleitoral, ganhou um contrato com a
Prefeitura Municipal logo nos primeiros dias de administração.
Ele é o
proprietário de um imóvel localizado na BR-135 e alugado por dispensa de
licitação à Prefeitura pela bagatela de R$ 18 mil para receber as instalações
do Sine na cidade – o contrato (veja cópia ao lado)
não especifica se o valor é mensal ou anual.
A dispensa foi confirmada no dia 4 de janeiro
(rápido, hein?) e publicada no Diário Oficial do Estado do dia 11 de março.
Três dias depois, Inácio aparecia na carta de ordem expedida pelo desembargador
Froz Sobrinho como uma das testemunhas do prefeito.
Mas, é claro, uma coisa pode não ter na que
ver com a outra.
Outro lado
A assessoria de comunicação da Prefeitura
informou ao titular do blog, que Inácio da Cruz não é testemunha do prefeito
Alan Linhares, mas de seu cunhado, vereador Romualdo (PTB), aliado do
petebista. E mais: que o contrato de locação do imóvel existe desde o ano
passado, tendo apenas sido renovado agora.
Segundo a ASCOM, Assessoria
de Comunicação da Prefeitura, nas oitivas das testemunhas o senhor Inácio teria
sido dispensado, sem ao menos precisar ser ouvido pela juiza. Ele foi arrolado
no processo por que juntaram uma foto de seu veículo, assim como as outras
testemunhas, que tiveram suas casas fotografadas sem autorização judicial, mas
que comprovaram a justiça, que os materiais fotografados haviam sido comprados
e não doados como alegou a acusação. Um detalhe interessante, as testemunhas
fizeram questão de ir ao fórum deixar seus depoimentos à justiça. 

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